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  • Tévye, O Leiteiro

Tévye, O Leiteiro

Autor: Scholem Aleichem
SKU: 11857
Páginas: 328
Avaliação geral:

Obra que inspirou o musical "Um Violinista no Telhado", apresenta o eloquente e azarado personagem que sonhava em ser rico. Traduzido diretamente do ídiche para o português, traz a divertida e agradável linguagem desse clássico da literatura iídiche de leitura obrigatória para os amantes da cultura judaica, na qual Tevye simboliza o judeu que padece com as aflições de seu povo e discute com Deus, tentando achar respostas para o sofrimento.

R$ 35,99 no Cartão
Disponibilidade: Imediata

Descrição

"Tevye, o leiteiro - o mais conhecido personagem de Sholem Aleichem, um dos mais proeminentes autores da literatura ídiche - é um simples judeu que fala pelos cotovelos, citando constantemente (nem sempre de uma maneira muito convencional) a Torá e outras fontes judaicas. Em sua cômica linguagem que lhe é peculiar, o próprio Tevye narra suas histórias, que retratam a vida de um pobre judeu que viveu na Rússia nos últimos anos do regime czarista.

Diversas vezes adaptada ao teatro e ao cinema, esta obra inspirou o famoso musical "Um Violinista no Telhado", que tornou conhecido ao mundo o eloquente e azarado personagem que sonhava em ser rico. Sempre com a cabeça nas nuvens, o Tevye vive imaginando como seria sua vida de milionário. Já desiludido com os negócios, ele está convencido de que a solução é casar uma de suas filhas com um bom partido de Yehupetz, lá onde vivem os maiores magnatas judeus. Mas como um bom shlimazel que ele é, seus planos geralmente acabam indo por água abaixo.

Direto do ídiche para o português, o tradutor traz a estas páginas em uma divertida e agradável linguagem este clássico de leitura obrigatória para os amantes da cultura judaica. Nestas páginas você experimentará as hilárias e trágicas histórias, que, além do ácido humor, expressam o drama, as lágrimas, as dores, as dúvidas e as complexas emoções de um pai que sofre por suas filhas; de um judeu que padece com as aflições e tragédias de seu povo; de um ser humano que, buscando o sentido da vida, discute com Deus, tentando achar respostas para o sofrimento".


Índice e trechos

Sumário

Prefácio
Uma carta de Tevye para o autor
A grande fortuna
A bolsa de valores de Yehupetz
As crianças do mundo moderno 
Um comunista no telhado 
O Gorki de botas 
A princesa e o blintzes
Uma viagem para Eretz Israel
A terra do nunca se sabe
Referências de citações do Tevye
Glossário

Sobre o autor

Sholem Aleichem

Nasceu em 1859 numa família chassídica em Pereyaslav e cresceu no shtetl próximo de Voronko (atual Kiev Oblast, Ucrânia. Seu pai, Menachem-Nukhem Rabinovich, era um rico comerciante da época, porém que veio a falecer posteriormente durante a infância de Sholem Aleichem, que assim cresceu em condições materiais limitadas. Quando ele tinha 13 anos sua mãe faleceu de cólera. Aos 15 anos de idade, inspirado por Robison Crusoe, ele compôs uma versão judaica da obra, adotando o pseudônimo Sholem Aleichem, variante em Yidishe da expressão em hebraico shalom aleichem (que significa "a paz esteja com você/olá). Em 1876, depois de se graduar numa escola em Pereyaslav, ele foi tutor durante 3 anos da filha de um rico fazendeiro, Olga Golde Loev, com quem viria a se casar, contra a vontade dos pais dela. Eles tiveram seis filhos. Um de seus filhos, Norman Raeben, se tornou um pintor e influente professor de arte, enquanto uma de suas filhas, Lyalya Kaufman, se tornou uma escritora de Yidishe. Em 1905, em meio a pogroms constantes no sul da Rússia, ele se mudou para Nova York, enquanto sua família permaneceu em Genebra. Não podendo sustentar duas casas, ele passa a morar na Suíça com a família. Em 1914 a família se muda para Lower East Side em Manhattan. Seu filho Misha, doente de tuberculose, não é admitido pelas leis de imigração americanas, e assim permanece na Suíça com a irmã Emma, falecendo em 1915.

Carreira Literária

Primeiramente Sholem Aleichem escreveu em russo e Hebraico. De 1883 em diante ele escreveu quarenta obras em Yidishe, tornando-se a figura central da literatura yidishe em 1890. A esse tempo o yidishe era a língua vernacular de praticamente todos os judeus do leste e centro europeus.
Além da sua extensa produção literária em yidishe, Sholem Aleichem usou seus próprios recursos financeiros para promover outros escritores yidishes. Em 1890 Sholem Aleichem perde sua fortuna com a especulação na bolsa de valores, o que comprometeu o financiamento de obras em yidishe. Ele escreveu a famosa peça "Um Violinista No Telhado",que depois veio a virar filme que ganhou oscar e globo de ouro.

Comentários

Quinta, 18 de Fevereiro de 2012, 03h00
Marcio Fernandes/AE

Criado nas ruas do Bom Retiro, ele publicou o italiano Umberto Eco pela primeira vez no País
Antonio Gonçalves Filho - O Estado de S.Paulo

Ao fundar a Editora Perspectiva, em 1965, o professor, crítico teatral, tradutor, ensaísta e editor Jacó Guinsburg tinha dúvidas se iria sobreviver num mercado com pouco interesse pela cultura judaica e pelo teatro - duas de suas maiores paixões. Aos 91 anos, em plena atividade, o diretor-presidente da Perspectiva anda às voltas com a tradução da gramática hebraica que o filósofo Baruch Spinoza deixou incompleta. Professor emérito da USP, Guinsburg fez do teatro a área nobre de sua editora. Quase 200 obras - um quinto do seu catálogo - são dedicadas a ensaios sobre mestres como Stanislavski, Brecht, Pirandello e Beckett. Agora, dois novos títulos ampliam esse catálogo, Teatro Espanhol do Século de Ouro, coletânea organizada por Guinsburg e Newton Cunha, e Tévye, o Leiteiro, de Scholem Aleikhem (1859-1916), traduzido pelo editor.

Por uma dessas coincidências, Tévye, o Leiteiro chega às livrarias um mês antes da estreia, em São Paulo, do musical baseado no livro de Aleikhem, Um Violinista no Telhado, montagem da dupla Charles Möeller e Cláudio Botelho (dia 22 de março, no Teatro Alfa). Tévye, no entanto, é mais que o personagem de um popular musical da Broadway (gênero descendente do teatro ídiche) e do filme homônimo, de 1971, vencedor de quatro Oscars, que consagrou o ator Chaim Topol como o leiteiro exilado em decorrência de um decreto do czar que o obriga a deixar sua aldeia. Ao escrever a história de Tévye, um dos grandes personagens da literatura ídiche, Aleikhem (ou Sholem Aleichem, que em hebraico significa "a paz esteja contigo") antecipava o próprio destino, pois foram os constantes pogroms na Rússia que levaram o escritor a se instalar em Nova York.

Ao se estabelecer nos EUA, Aleikhem já era um dos principais representantes da literatura ídiche, tendo produzido, até 1890, mais de 40 livros no vernáculo dos judeus do Leste Europeu- que conquistou o território do hebraico litúrgico. A obra de Aleikhem, diz Guinsburg, é a expressão fidedigna da vida judaica no chamado "schtel", povoado em que viviam os judeus na Europa Oriental. Ao retratar as mudanças por que passaram seus habitantes no fim do século 19, desafiados pela nascente modernidade, Aleikhem fez desse confronto uma parábola sobre os acontecimentos revolucionários que iriam mudar a face da Rússia czarista no século 20.

"Não é preciso lembrar que a participação dos judeus nos movimentos socialistas europeus do século passado foi enorme", diz Guinsburg, observando, porém, que Aleikhem não era um escritor engajado, embora fosse simpático ao sionismo. Ele defendia as causas populares de outra forma, usando uma narrativa paródica que permitia ao homem do "schtel" se ver refletido no espelho literário de obras como Tévye, o Leiteiro. Nela, o protagonista interage com o autor e acaba se impondo, oferecendo ao leitor a imagem do judeu maltratado pelo russo e, finalmente, isolado na própria comunidade em que vive - até pelas próprias filhas, avessas às tradições judaicas.

Ao contrário das filhas de Tévye, Jacó Guinsburg é reverente à cultura judaica, embora seja um judeu laico. Foi com a Coleção Judaica, série de 13 volumes dedicados a ela, que começou a Perspectiva, vendendo em pagamentos parcelados um produto que ainda não existia para compradores que acreditaram nele. O editor cumpriu o compromisso em quatro anos, publicando integralmente a coleção, que ganhou um volume adicional. Guinsburg dividiu-o em dois: o primeiro sobre o estudo da oração e o segundo sobre a relação dos judeus com a modernidade. No entanto, ficou a frustração de uma segunda etapa planejada para a coleção, que seria dedicada aos melhores autores de origem judaica. Vale lembrar que Guinsburg foi o primeiro editor de Isaac Bashevis Singer (1902-1991) no Brasil, 30 anos antes da consagração do escritor americano de origem polonesa com o Nobel de 1978.

O editor traduziu sua coletânea Joias do Conto Ídiche na primeira editora que fundou, a Rampa, fechada em 1947 com apenas quatro livros no catálogo. O motivo, além da falta de capital para continuar o negócio, era o pouco interesse do mercado por obras como essa. Naquele época, autores judeus eram pouco lidos no Brasil - e continuam sendo, excetuando-se os mais evidentes. O projeto de publicar a coleção literária judaica foi, então, adiado. "Nomes como (Isaac Leib) Peretz e Scholem Aleikhem estão por trás da grande literatura de Bashevis Singer, mas são pouco conhecidos dos leitores brasileiros", observa Guinsburg, citando uma dezena de outros autores na mesma situação, entre eles Moshe Shamir, Mêndele e Agnon, primeiro escritor israelense a receber o Nobel (em 1966). Ele ainda não havia sido agraciado com o prêmio quando Guinsburg comprou os direitos de Novelas de Jerusalém, um dos três livros seus publicados pela Perspectiva (os outros dois são Contos de Amor e Uma História Simples).

Por essa época, o editor vivia das aulas de crítica teatral na Escola de Arte Dramática (EAD) da USP, onde iniciou a carreira de professor em 1964, e colaborava com regularidade no Suplemento Literário do Estado, que se tornaria o principal órgão de divulgação da literatura ídiche e do teatro russo (no qual Guinsburg, nascido na Bessarábia, hoje Moldávia, é especialista). Por ter estudado filosofia na Sorbonne, o editor, convidado pelo engenheiro têxtil Paul -Jean Monteil, trabalhou durante dez anos na editora que o empresário francês, ex- funcionário da Rhodia, fundou após o fim da 2.ª Guerra, a Difel (Difusão Europeia do Livro), antes de criar a Livraria Francesa. Guinsburg lembra do fim da editora, que depois se transformou na Bertrand Brasil e hoje pertence ao grupo Record. "Monteil era um socialista e praticamente incentivou a greve dos seus funcionários, que acabou no fechamento da Difel". Ele permaneceu na editora até as portas descerem, em 1966, traduzindo e organizando coleções como as de Diderot, mais tarde reeditada duas vezes (a última na Perspectiva).

Guinsburg pretendia criar na Difel a Coleção Debates, por meio da qual a Perspectiva acabou se firmando como a casa dos grande ensaios literários e filosóficos, mas se desentendeu com Monteil e levou o projeto para sua editora recém-formada. "Ela começou como uma sociedade fechada com muitos sócios, entre eles Celso Lafer e José Mindlin, que nos ajudou em muitos momentos de crise, como nos anos 1970, quando quase fomos à bancarrota."

Tudo isso porque a ampla visão editorial de Guinsburg brigava com a empresarial. Um dos primeiros autores da Coleção Debates - dedicada a ensaios fundamentais nas áreas de artes, literatura, filosofia e linguística, entre outras disciplinas - foi Umberto Eco, que, nos anos 1960, ainda não era o autor do best-seller O Nome da Rosa (1980), mas um semiólogo para poucos. Guinsburg foi o primeiro editor brasileiro a publicá-lo na coleção (começando com Obra Aberta, de 1962). Outros grandes nomes da série Debates - Anatol Rosenfeld, Margaret Mead, Roman Jakobson, Martin Buber, Abraham Moles, Gershom Scholem - pertencem ao Olimpo acadêmico, mas não são propriamente campeões de venda. Scholem, amigo de Walter Benjamin, era desconhecido no Brasil antes de Guinsburg publicar livros como De Berlim a Jerusalém. Martin Buber é outro exemplo de autor introduzido aqui graças à Perspectiva. "Porém, os lançamentos de seus livros eram praticamente ignorados pela mídia", lembra o editor, cuja formação foi bastante curiosa.

Sem falar línguas estrangeiras, mas lendo em inglês, francês, espanhol, alemão, hebraico e ídiche, ele decidiu se aprofundar nos estudos filosóficos, iniciados (com a leitura dos materialistas históricos) quando ainda era adolescente. Esse interesse se expandiu quando seu caminho se cruzou com o do crítico Anatol Rosenfeld (1912-1973). O teórico, que na época dirigia a seção de letras germânicas do Suplemento Literário do Estado, deu uma palestra da qual Guinsburg saiu encantado. Ficaram amigos e Rosenlfeld acabou indicando seu nome para dar aulas na Escola de Arte Dramática da USP, criada em 1948 por Alfredo Mesquita. "Frequentei durante 14 anos os cursos de Estética de Rosenfeld, até 1972, um ano antes de sua morte". Foram aulas bem aproveitadas, a julgar pela coleção de Estética de sua editora, que abriga autores como Theodor Adorno e Max Bense.

Se a influência de Rosenfeld foi decisiva na maturidade, na infância foi um professor trotskista que jogou nas mãos do menino Jacó livros de autores esquerdistas. Vindo da Bessarábia com 3 anos, ele frequentava na adolescência o clube judeu Cultura e Progresso no Bom Retiro, depois transformado na Casa do Povo. "Devia ter 12 ou 13 anos quando assisti a uma peça antirreligiosa em plena época das festas judaicas", conta, rindo. Entre descendentes de imigrantes italianos e filhos de soldados da PM ele cresceu, assistindo depois aos clássicos de Shakespeare e lendo o que ele chama de "literatura de combate" (Gorki e outros escritores russos comprometidos com a revolução que derrubaria o czar). Guinsburg poderia ter acabado na política, mas seguiu outro caminho. Ganharam os leitores. A Perspectiva ostenta hoje um catálogo de 1.000 títulos e entra o ano com o projeto de publicar outros 50 até 2013. O editor não pensa em parar. Nem em vender sua editora, comandada por ele e a esposa Guita, com quem é casado há meio século.

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