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Este é o meu Deus

A Maneira Judaica de Viver
Autor: Herman Wouk
Editora: Sêfer
SKU: 147
Páginas: 320
Avaliação geral:

Através de uma linguagem direta e cristalina, leva o leitor a um inesquecível passeio pela história dos judeus e do judaísmo - das tendas do patriarca Abrahão ao moderno Estado de Israel. De forma surpreendente, estabelece um escopo que aborda todos os tópicos essenciais da identidade judaica, tornando-a plenamente acessível, ao demolir mitos e estereótipos. Recomendadíssimo!

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Disponibilidade: Imediata

Descrição

Como um vinho de safra nobre, também este livro torna-se cada vez mais precioso com o tempo. Através de uma linguagem direta e cristalina, Herman Wouk, consagrado autor norte-americano, nos leva a um inesquecível passeio pela história dos judeus e do judaísmo, das tendas do patriarca Abrahão ao moderno Estado de Israel.
De forma surpreendente, ele estabelece um escopo que aborda todos os tópicos essenciais da nossa identidade, tornando-a plenamente acessível, demolindo mitos e estereótipos.
Seu poder de síntese e o alcance de sua análise são frutos do mais profundo conhecimento. Generoso, ele também nos brinda com observações bem humoradas e coloridas passagens de sua própria vida.
O judeu ortodoxo Herman Wouk, novelista e autor teatral totalmente integrado à cultura laica na qual vive, imprime a Este é o Meu Deus o amor e a reverência que tem por sua origem e tudo o que ela abrange.
O que mais me emociona, a cada nova leitura, é descobrir aspectos antes não apreendidos, é saborear ideias que, vistas sob outra luz, só fazem reafirmar a verdade única e imutável contida nas linhas e entrelinhas.
É um livro escrito com a motivação que só pode nascer do coração - um coração apaixonado e orgulhoso de sua herança judaica.
Entre inúmeras obras similares, a Editora Sêfer escolheu este título e sente-se honrada em republicá-la em português, depois de algumas décadas ausente das prateleiras, porque reúne qualidades concretas e, creio, valiosas para o momento que vive a comunidade judaica brasileira, um momento de busca e volta às raízes.
O público não-judeu descobrira um judaísmo coerente e autêntico, como nos ensina a Bíblia Sagrada, patrimônio maior de todos nós.
Espero que, ao concluir o livro, o leitor sinta-se enriquecido e experimente a maravilhosa sensação de dizer, uma vez mais: Este é o meu Deus.

Jairo Fridlin, editor

Índice e trechos

ÍNDICE

Prefácio................................................................................................ 19

Parte 1: A EXTRAORDINÁRIA SOBREVIVÊNCIA DOS JUDEUS

Prólogo.................................................................................................. 23
Deus......................................................................................................... 24
Meu  Objetivo ........................................................................................ 26
1   Quem Somos? ..................................................................................... 27
O Quanto Disto É Verdade? ................................................................ 29
Com Orgulho ........................................................................................ 30
O Mistério .............................................................................................. 33
"O Povo Eleito" ..................................................................................... 35
O Alicerce da Sobrevivência ............................................................... 38
2   A Predominância dos Símbolos ..................................................... 41
O Papel Que Desempenham ............................................................... 41
A Origem ................................................................................................ 42
A Força .................................................................................................... 43
Conformismo e Dignidade .................................................................. 45

Parte 2: A FÉ 

3  Há muito para aprender .................................................................. 51
As lágrimas do Gaon de Vilna .............................................................. 52
A Essência .............................................................................................. 53
Isolamento .............................................................................................. 57
4 O Shabat ............................................................................................. 57
O Que Diz o Gênesis ............................................................................ 58
O Shabat no Primeiro Livro da Torá .................................................. 59
Uma Opinião ......................................................................................... 60
O Quarto Mandamento ........................................................................ 62
Conquistas Que Só o Shabat Traz ....................................................... 64
5  Celebrando a Natureza ................................................................... 67
Um Calendário Diferente ..................................................................... 68
Pêssach ..................................................................................................... 69
Shavuót .................................................................................................... 72
Sucót ........................................................................................................ 73
Sheminí Atséret ....................................................................................... 75
Uma  Síntese .......................................................................................... 75
6  Os Dias Santificados ....................................................................... 77
Explicações Segundo a Lei .................................................................. 77
A Metáfora das Grandes Festas ........................................................... 79
A Penitência ........................................................................................... 80
A Imortalidade em Cada Um de Nós ................................................ 82
Tempo de Esperança ............................................................................. 84
7  Dias de Luto e de Louvor ................................................................ 87
Tishá beAv ................................................................................................ 87
Purim: Homenagem a Ester ................................................................. 88
A Festa das Luzes .................................................................................. 91
Chanucá em Nossos Dias ...................................................................... 92
8  As Preces, a Sinagoga e os Devotos .............................................. 95
Um Dia na Sinagoga ............................................................................. 96
Uma Noite na Ópera ............................................................................ 97
O Que é Uma Sinagoga? ...................................................................... 99
O Credo e o Serviço ............................................................................ 101
Somente as Preces em Hebraico Serão Ouvidas? ..........................  102
Diferenças que Vieram com o Tempo .............................................. 106
Dificuldades que Todos Nós Enfrentamos ...................................... 108
9  Alimentação, Vestuário e Moradia ............................................... 111
Nossa Dieta .......................................................................................... 112
As Leis da Cashrut ............................................................................... 113
O Método de Abate ............................................................................. 115
Graus de Observância ........................................................................ 116
Por Que Se Importar? ......................................................................... 119
Como Nos Vestimos ........................................................................... 121
Nossa Casa ........................................................................................... 122
10  Nascimento, Maioridade Religiosa e Maturidade ................... 125
Circuncisão .......................................................................................... 125
Bar-Mitsvá ............................................................................................ 127
Bat-Mistvá. ............................................................................................ 130
Homens, Mulheres e Mudanças ....................................................... 132
11 Amor e Casamento .......................................................................... 135
O Sexo no Judaísmo ........................................................................... 135
Casamento ........................................................................................... 137
Leis Muito Especiais ........................................................................... 139
Divórcio ................................................................................................ 142
Restrições .............................................................................................. 142
12 Morte .................................................................................................. 147
O Enigma Impossível de Desvendar ............................................... 147
O Que Vem Depois ............................................................................. 148
Uma Explicação ................................................................................... 150
O Cadish ................................................................................................ 153

Parte 3: A LEI 

13 Onde Reside a Autoridade? .......................................................... 159
14 A Torá ................................................................................................ 161
Moisés, o Homem ............................................................................... 161 
A Torá de Moisés ................................................................................ 162
Inspiração Divina ................................................................................ 164
Escrituras Complementares .............................................................. 165
Sobre a Teoria da Evolução ................................................................ 167
O Texto Sagrado .................................................................................. 169
15  O Talmud .......................................................................................... 171
O Primeiro Passo .................................................................................. 171
"Za Rabotu" .......................................................................................... 172
O Que é o Talmud? ............................................................................. 174
A Presença da Agadá no Talmud ...................................................... 177
16 O Direito Comum na Lei Judaica ...............................................  179
A Questão das Emendas ..................................................................... 179
Poder de Veto ...................................................................................... 182
O Método Talmúdico ......................................................................... 184
Desafios ................................................................................................ 185
17 Do Talmud ao Presente ................................................................. 189
A Grande Transformação .................................................................. 189
Os "Primeiros": Maimônides ............................................................ 190
O Argumento Contra Maimônides .................................................... 193
Shulchán Arúch ..................................................................................... 195
A Lei Vigente ....................................................................................... 197
Um Retrospecto ................................................................................... 198

Parte 4: O PRESENTE

18 Um Novo Cenário ........................................................................... 203
19  O Que Foi o Iluminismo ............................................................... 205
20  Ortodoxia ........................................................................................... 209
"Eu Devia Ter Aprendido Inglês" .................................................... 209
O Que é Ser Ortodoxo? ...................................................................... 211
O Declínio da Antiga Erudição ........................................................ 212
A Nova Forma de Estudar ................................................................ 213
Os Chassidim ........................................................................................ 216
21 Dissidências .................................................................................... 219
Conservadorismo e Reformismo ...................................................... 220
O Processo Que Torna os Limites Menos Definidos .....................   222
Ortodoxia e Dissensão ......................................................................... 223
Uma Nota Pessoal ............................................................................... 224
Assimilação .......................................................................................... 225
Os Assimiladores Entre Nós .............................................................. 228
Os "Indecisos" ...................................................................................... 230
22  Israel .................................................................................................... 231
Como Aconteceu ................................................................................. 232
Os Líderes ............................................................................................... 233
O Paradoxo da Existência do Estado Judeu .................................... 235
A Realidade Israelense ......................................................................... 238

Epílogo

Minha Resposta a Ben-Gurion  ..................................................... 243
Acreditar é Permitido ...................................................................... 246
O Deus de Moisés ............................................................................ 248
O Mundo Exterior ........................................................................... 249
"Este é o Meu Deus" ....................................................................... 251

Posfácio de 1969 sobre a Guerra dos Seis Dias
As Cinzas e o Ouro ......................................................................... 257
O Sionismo Espiritual ..................................................................... 259
E a Religiosidade? ........................................................................... 260

Posfácio de 1987 sobre os 40 Anos do Estado de Israel 
A Terra e a Fé ................................................................................... 263
Fratura Exposta ................................................................................ 265
O Panorama Atual .......................................................................... 267

Notas .................................................................................................. 271
Referências ........................................................................................ 315
Glossário .......................................................................................... 317

Trechos

PRÓLOGO


Um amigo meu, um judeu totalmente afastado de Deus e das práticas religiosas ? devo dizer que se trata de um homem notável, de mente privilegiada ? veio à minha casa numa noite fria de novembro e, não sem um certo embaraço, disse: "Isto pode soar como uma surpresa, mas será que você pode me indicar algum material de leitura sobre Chanucá? Acho que meu filho precisa saber um pouco mais sobre sua própria origem." Com uma pitada de ironia, acrescentou: "É uma questão cultural, você compreende, não religiosa!"


Não é sempre que alguém, nem mesmo um prolixo novelista, senta-se à mesa e escreve um livro em resposta a uma pergunta casual. Mas acho que foi exatamente o que fiz aqui. Obviamente, o livro já existia e precisava apenas ser colocado no papel. O pedido do meu amigo apenas precipitou as coisas. Na verdade, eu convivia com o desejo de escrever sobre a fé judaica havia alguns anos.


O judaísmo sempre foi uma fonte de profundo interesse para mim. É parte essencial da minha vida e da vida de minha família. Meus filhos falam hebraico perfeitamente, leem o Antigo Testamento no original, estão familiarizados com a literatura rabínica, e conhecem nossas leis e tradições. É esta a nossa maneira de viver. Creio que posso oferecer ao leitor interessado um esboço sobre o assunto, utilizando quaisquer habilidades literárias que eu tenha conseguido aprender ao longo do tempo para não aborrecê-lo com detalhes desnecessários, ou com minhas próprias teorias pouco relevantes.
Há muitos judeus que, embora não observantes, gostariam de conhecer melhor os fundamentos e a prática da religião.  Há também não judeus que nutrem curiosidade em relação à nossa fé. Mas a literatura disponível é tão extensa, poucas são as obras traduzidas [à época - N.T.], e boa parte delas é tão rica em erudição que os interessados sentem-se perdidos, sem saber ao certo por onde começar. A eles, aos que procuram um começo, dedico este trabalho. 


Não podemos esquecer que o básico para alguns é o excessivo para outros. Procurei estabelecer um meio termo. Tenho a esperança de que os estudiosos que decidirem folhear o livro não tracem de imediato um paralelo entre minha ignorância e tudo aquilo que foi omitido. Uma grande parte do trabalho foi eleger o conteúdo definitivo. Minha missão era escrever um pequeno livro sobre um tema que abrange praticamente toda a História; um tema que ocupa bibliotecas inteiras, abrange todas as questões clássicas da vida humana, e suscita permanentemente discussões as mais variadas e turbulentas. Reduzir o escopo original solicitou um esforço imenso. 

Deus

Não faz sentido discutir religião com quem tem a certeza de que Deus não existe. Meu livro irritará tais pessoas e não lhes trará nenhuma luz. Não posso mudar sua forma de pensar, e nem pretendo tentar. Mas, pessoalmente, vejo o  agnosticismo, quando transformado em dogma, como uma  desvantagem tão grande quanto a superstição. Pode-se pensar que não há prova concreta, decisiva, quanto à existência de Deus. Agora, imagine como o mundo seria estranho se o seu Criador fosse visível como, por exemplo, um autor teatral em noite de estreia. Eis o universo, este fascinante conjunto de maravilhas organizadas em perfeita ordem, que parece não ter um Autor. Eis a vida humana, repleta de tristezas, episódios trágicos e futilidades, sempre terminando com a  morte. Para muitos, refutar a noção de que exista um Deus orquestrando tudo isto parece lógico. Qualquer tipo de afirmação que se faça a respeito de Deus - se Ele existe ou não; se podemos ou não conhecê-Lo - pode ser vista como um salto em direção à escuridão.


Os religiosos tendem a encontrar, entre os agnósticos, uma certeza cristalizada quanto à fé em Deus: ela serviria de muleta para os fracos e amedrontados. Igualmente tolo, porém, seria afirmar que a ausência de fé também representa uma muleta - desta vez, amparando depravados e ignorantes. Confesso que não posso deixar de sorrir quando alguém que evidentemente nada leu sobre o assunto, a não ser, talvez, o sumário em tom agnóstico de um livro como O Homem e Seus Deuses, aproxima-se e me diz, num tom de voz condescendente, que as pessoas fazem muito bem em ser religiosas, se isto lhes traz alento.


Em tese, a crença em Deus pode eventualmente vir a se revelar um equívoco. Mas enquanto isto não acontece, e trato de ser muito claro aqui, observamos que a fé não é meramente um sentimento que conforta a alma - embora também o seja, o que faz dela um sentimento ainda mais elevado. Argumentar intelectualmente contra a crença em Deus tem sido a missão de inúmeros pensadores ao longo do tempo, pensadores dotados de mentes invejáveis. Hoje em dia, como nos cem últimos anos, a moda é não acreditar em Deus. Daí, a publicação de tantos livros racionalistas, regularmente lançados por editoras menores. A própria popularidade alcançada por estes livros já deveria ser suficiente para levantar suspeitas junto a pessoas criteriosas. 


Por outro lado, as ideias de Kierkegaard, que escreveu livros profundamente religiosos, e negligenciados por mais de cem anos, encontra-se atualmente na vanguarda de um novo pensamento. Suas obras não mudaram. O que, sim, está mudando, é a direção explorada por esta vanguarda. Torna-se cada vez mais claro que Freud pode ser uma muleta, assim como Marx e o pensamento racionalista, e que o ateísmo pode não passar de duas bengalas e um par de suportes ortopédicos. Nenhum de nós tem todas as respostas, e é provável que nunca as tenhamos. Mas, numa terra de coxos, o homem que tem certeza de que não manca costuma ser o mais gravemente aleijado.


Tenho a responsabilidade de descrever a concepção judaica de Deus da melhor maneira possível. Num outro tipo de livro, talvez o primeiro capítulo abordasse exclusivamente este assunto. Minha esperança é que, aqui, a visão judaica do Criador seja uma constante, apreendida pelo leitor página após página. Sei que posso descrever nossa religião, mas creio que serei menos hábil ao tratar de minúcias da teologia. Não obstante, tentarei fazer o melhor. Também estou ciente de que cada tópico abordado levantará questões sobre Deus. Escrevo para pessoas que, pelo menos, mantém a mente aberta em relação à existência e à obra de Deus, e que gostariam de conhecer algo sobre o caminho judaico que leva a Ele. 


Um livro sobre judaísmo habitualmente suscita controvérsias. O tema desafia a imparcialidade. Qualquer coisa que se escreva implica uma ótica pessoal. O leitor logo perceberá que credito a sobrevivência do povo judeu à intervenção Divina, e que o respeito à Lei de Moisés é a chave para a continuidade. Muitos judeus fortemente identificados discordarão do meu ponto de vista. Sei que se o livro chamar a atenção, inevitavelmente provocará controvérsia. Meu objetivo é despertar o interesse pelo judaísmo. Aqueles que discordarem de mim estarão servindo a mesma causa, a partir de suas próprias convicções.


Existem pessoas - e não são poucas, nem tampouco ignorantes - que realmente acreditam na assimilação como a única solução definitiva para a questão judaica. Este livro coloca-se exatamente no polo oposto a esta visão. Eu acredito ser nossa missão a de viver e servir a Deus de acordo com nossa identidade até o dia prometido em que Seu Nome será Um sobre toda a terra. Vejo a extinção da fé e do conhecimento judaicos como uma tragédia de proporções imensuráveis. 

Meu Objetivo

Hoje, os judeus têm a mesma liberdade e igualdade de direitos garantidas a todos os cidadãos, condição tantas vezes negada ao longo de nossa saga na Diáspora. Em Israel, caminha-se livremente sobre o solo sagrado, uma realidade que para muitos de nós ainda é um milagre. 


Para o povo judeu, o triste resultado das profundas transformações históricas ocorridas ao longo dos últimos séculos tem se revelado, sobretudo, no declínio da produção intelectual e na perda do conhecimento acumulado. Isto já aconteceu antes, em outros períodos críticos da nossa história. Os livros de Esdras e Neemias, datados do exílio babilônico, descrevem uma comunidade ainda mais próxima da ignorância e do consequente risco de extinção do que a nossa.  Felizmente, a reafirmação da identidade judaica através do estudo verifica-se hoje em todo o mundo livre. Tenho a esperança de que meu livro possa servir como instrumento elementar neste processo.


O leitor perceberá que me detenho nos aspectos mais atraentes e impressionantes dos judeus e do judaísmo. Para mim, são eles os mais significativos. Geração após geração, os erros cometidos por judeus costumam ser divulgados de forma exagerada e, muitas vezes, mentirosa. Os nazistas gastaram milhões para fazer o mundo acreditar que éramos menos do que humanos, num prólogo de sua tentativa em nos destruir completamente. Meu objetivo, neste livro, é falar a verdade - sobre a minha fé e sobre o meu povo. 


Uma nota sobre estilo: se algumas vezes adoto uma forma mais amena de escrever, isto não quer dizer que eu esteja abordando os fatos com menor rigor. O leitor não tiraria proveito algum de jargões técnicos empregados com o propósito de convencê-lo do peso das minhas palavras. Procurei escrever da forma mais clara e agradável possível, e  trabalhei com afinco em busca da simplificação.

Prefácio

PREFÁCIO 



Em 1959, quando foi publicada a primeira edição de Este é o meu Deus, o novo Estado Judeu estava em seu décimo primeiro ano de independência. A maioria dos judeus da Diáspora via a existência de Israel com simpatia – contribuía financeiramente, e mantinha distância. Alguns grupos pequenos de sionistas da Diáspora tentavam em vão promover o retorno em massa à Terra Prometida; outros, totalmente antissionistas, proclamavam aos quatro ventos que Israel simplesmente não tinha o direito de existir. Foi em meio a este cenário conturbado que o livro veio a público.


O capítulo 22, intitulado “Israel”, era suficientemente acurado na época. Hoje, as informações e considerações tornaram-se defasadas, o que mostra o quanto o país se desenvolveu em apenas três décadas. O judaísmo atravessa uma nova era. Depois da Guerra dos Seis Dias, escrevi um posfácio para o livro, “As Cinzas e o Ouro”, onde registrei a maneira como minhas próprias ideias estavam se modificando face ao impacto dos sacrifícios e triunfos vividos por Israel. Para a presente edição, escrevi um segundo posfácio, “Israel, 40 Anos: A Terra e a Fé”, onde tratei de atualizar minha visão sobre o Estado Judeu.


Ao reler Este é o meu Deus, sinto que, além dos posfácios, eu teria pouco a alterar. Tornei-me mais interessado pelo Chassidismo, admito, mas permaneço basicamente um admirador desta vertente mística da religião. Adquiri um conhecimento maior sobre a literatura iídiche, e me sinto menos pessimista quanto à sua sobrevivência. A literatura hebraica contemporânea também passou a me interessar mais. Mas se eu me sentasse hoje para escrever o livro, a única diferença importante estaria no tom que empregaria. Em essência, ele seria mais intenso, mais judaico. Porque em 1959 eu estava preocupado em provar que era possível um homem ocidental com educação superior levar uma vida judaica tradicional – não apenas livre de sacrifícios intelectuais mas, na verdade, enriquecida pela própria condição judaica. Hoje, não tenho a menor necessidade de provar o que veio a se revelar uma realidade.


O fato é que Este é o meu Deus já foi escrito. O modo como retrata o atemporal dentro da religião judaica permanece tão acurado quanto me foi possível explicar e explorar na época. Não consta de nenhuma das milhares de cartas que recebi de leitores de vários países desde o lançamento da primeira edição, nenhuma correção substancial quanto ao conteúdo do texto. 


O sucesso de Este é o meu Deus tem sido a grande recompensa por um trabalho de amor. Imaginei que estaria escrevendo para outros judeus, pessoas que sentiam vontade de aprender mais sobre sua fé mas que não dispunham de tempo ou suficiente conhecimento do idioma hebraico para ir às fontes. Em vez disso, o livro acabou encontrando um público maior, e passou a ser usado como um guia informal e obra de referência tanto para judeus quanto para gentios. Esta é a razão do subtítulo que incluí: A Maneira Judaica de Viver.


São muitas as maneiras judaicas de viver. Os caminhos que levam a uma vida judaica são inúmeros. Mas o ponto de partida de todos eles é um, e apenas um: a nossa Lei, chamada em hebraico de Halachá. 


E Halachá significa Caminho –  um único Caminho.


Para todos aqueles que procuram o Caminho, e para aqueles que simplesmente sentem curiosidade; para cada um dos que desejam conhecer com clareza a verdade sobre o nosso povo eterno, escrevi este livro simples.

Herman Wouk

Palm Springs
15 de março de 1987
Purim, 5747

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